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mãe, o que é igráini? (6 anos)

 


Eu vi minha mãe, tia e avó falando desse livro. Eu gostava muito de ler, muito mesmo. Lembro que eu tinha descoberto um livro maravilhoso, que tinha duas histórias em um livro só. Abria por uma capa, era uma história; virava o livro e abria pela outra, era outra história. Eu fiquei muito tempo tentando entender como era possível aquilo existir, porque a única explicação plausível seria magia. Li e reli, virei e revirei, até entender que metade do livro estava "de cabeça pra baixo" em relação à outra metade. Menos interessante do que magia, mas ainda era uma ideia genial. Ou seja, eu gostava muito mesmo de livros.

O livro que as adultas acima citadas estavam lendo tinha uma capa com um desenho muito bonito, que dava um pouco de medo. Era uma capa de papel por cima de uma capa vermelha com letras douradas. Muito legal, muito bonito. Lembro de ficar um tanto intrigada com o motivo de existirem duas capas, ainda mais com o mesmo desenho. E a colorida, de fora, era mais bonita. Ainda assim: legal.

Fui folhear o livro, ver as outras imagens. Não tinham outras imagens. Apenas muitas palavras, pouca margem, letra pequena. Aquele livro daquela grossura e não tinha nem mais 1 desenho. Eu achava adultos estranhos. O livro de adultos também parecia estranho, ok. O livro deveria ser muito bom, mesmo sem desenhos.

Abro o livro, passo várias páginas. Começo a ler uma frase meio chata. O título da página era "Prólogo". Perguntei para minha mãe: "mãe, o que é prólogo?" Ela me explicou que era uma parte que vinha antes do livro começar. Ou seja, concluí que eu não precisava ler. Pulei essa parte.

Li a primeira frase, não lembro sobre ela. Lembro da segunda, que agora copio do mesmo exemplar que li trinta anos atrás: "Do promontório onde estava, Igraine, esposa..."

Eu nunca tinha visto uma palavra tão grande com tantas letras O: promontório. Eu não sabia o que era, mas tudo bem, vamos seguir, o livro devia ser legal. Mas aí veio "Igraine". Perguntei para minha mãe: "mãe, o que é igráini?". Lembro que ela precisou de um segundo para entender, riu, corrigiu minha pronúncia, e falou que era o nome de uma mulher. Eu achei um nome muito, muito, muito feio. Além disso, para ser um nome de gente, me parecia mais um nome de homem.

Eu não fui além dos três primeiros parágrafos da primeira página. Achei o livro muito chato, cheio de palavras esquisitas. Sem nenhum desenho. Chato. Desisti.

Mas tudo bem, adultos são estranhos. E voltei para meus livros muito mais legais, com letras maiores, desenhos bonitos, e histórias interessantes.

Segunda leitura: aos 12 anos